quarta-feira, 31 de março de 2010

terça-feira, 30 de março de 2010

Dilmasia é fantasia...

Política

Eleição. Movimento pretendia fortalecer candidaturas da ministra da Casa Civil e do vice-governador em MG

Tucanos barram "Dilmasia" para preservar Aécio
PSDB de Minas quer evitar a culpa de uma eventual derrota de José Serra no Estado

Amália Goulart
Um grupo restrito de prefeitos do interior de Minas Gerais quis homenagear o governador Aécio Neves (PSDB) e acabou por criar um grande embaraço para o tucano, que se mobilizou nessa semana para pôr fim ao mal-estar. Foi a promessa de reedição do chamado "Lulécio", movimento que teve por objetivo reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Aécio Neves (PSDB) - mas, agora, sob a forma de "Dilmasia", que pretende criar um voto casado em Dilma Rousseff (PT), ministra da Casa Civil e pré-candidata à Presidência, e Antonio Anastasia (PSDB), vice-governador de Minas e concorrente ao Palácio da Liberdade.

Ao governador não interessa uma derrota do PSDB em Minas na disputa pelo Palácio do Planalto. Se os tucanos forem batidos no Estado, Aécio corre o risco de ser culpado pelo baixo desempenho eleitoral, o que é considerado pelos tucanos um balde de água fria nas pretensões do mineiro para 2014.

Mas ao contrário do "Lulécio", que ocorreu de forma efetiva, o "Dilmasia" não passou de um ensaio. Os prefeitos garantem que Dilma e Anastasia não têm o mesmo apelo e peso políticos que Lula e Aécio. "Dilma e Anastasia são dois postes. Um não sustenta o outro. Dilmasia tem até nome de doença: asia", afirmou em tom de ironia um prefeito da base petista, que preferiu não ser identificado.

O "Lulécio" foi lançado pelo prefeito de Salinas, no Vale do Jequitinhonha, José Prates, o mesmo que tenta dar fôlego ao "Dilmasia". A articulação acabou levando à expulsão de Prates do PT. Agora filiado ao PTB, ele garante que existem colegas que vão pedir votos para Dilma e Anastasia. Segundo o petebista, os eleitores queriam ver o governador Aécio Neves candidato à Presidência da República. O plano foi frustrado pelo governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB. "Aécio ainda está na cabeça dos eleitores como candidato a presidente. Ele só não será por causa da elite paulista. O povo não aceita isso", disse Prates, para explicar porque os prefeitos mineiros preferem mais votar em Serra do que em Dilma. Ele evitou nominar os prefeitos que também fazem parte da empreitada.

Antes que a iniciativa de Prates começasse a ganhar visibilidade - e para se precaver -, o secretário de Governo, Danilo de Castro (PSDB), reuniu alguns líderes de partidos da base de Aécio, além do presidente da Assembleia de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP), na Cidade Administrativa, na última terça-feira, para pedir que avisem aos prefeitos de suas bases eleitorais que o governador só terá chances de tentar o Palácio do Planalto, daqui a quatro anos, se Serra tiver uma votação expressiva em Minas. O raciocínio que Castro pediu que fosse repassado, de acordo com um dos líderes que esteve no encontro, é o de que o tucano não pode ser acusado pelo PSDB nacional de fazer "corpo mole". Ele precisa de apoio para se viabilizar nacionalmente. E este apoio inclui, obviamente, o tucanato paulista.

Antes de dar o recado aos prefeitos, o PSDB tratou de tranquilizar os paulistas. O presidente da legenda em Minas, deputado federal Nárcio Rodrigues, foi a São Paulo, na semana passada, dizer a José Serra que o movimento é pequeno, isolado e seria reprimido.

O próprio Aécio Neves tem falado de público, repetidas vezes, que o paulista tem o seu apoio irrestrito na campanha presidencial.



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Análise

Apelo por Lulécio era maior do que o movimento atual
O “Lulécio” deu certo em 2006 porque tratava-se de dois candidatos – Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Aécio Neves (PSDB) – que vinham de governos bem avaliados e com grande chance de vencerem. Mas, neste ano, a situação é outra. É o que afirma o cientista político da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Malco Camargos. “O movimento ‘Dilmasia’ é muito arriscado”, diz o especialista.

Para Camargos, apesar de a pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff (PT), ser apoiada por Lula e de o pré-candidato tucano ao Palácio da Liberdade, Antonio Anastasia, ter o aval de Aécio, eles não têm o mesmo apelo que seus padrinhos. “Nesta eleição não se sabe quem vai ganhar. Quando houve o ‘Lulécio’, Lula já entrava com muita vantagem e, Aécio, todos sabiam que ia vencer. Agora é diferente”, conclui. (AG)



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Só onda

Prefeitos da base e da oposição negam casamento de voto
O presidente da Associação Mineira de Municípios e prefeito de Conselheiro Lafaiete, na região Central de Minas, José Milton (PSDB), disse que tem se encontrado com colegas diariamente e não percebe o voto casado – o movimento chamado “Dilmasia” – neste ano. “Não tenho visto manifestações assim. O ‘Lulécio’ pegou porque aconteceu na prática. Hoje, não existe esse sentimento, essa clareza”, afirmou. “Pode ser que um ou outro prefeito possa defender o ‘Dilmasia’, mas fora isso, não passa de onda e especulação”, disse.

Ele acredita que o voto casado neste pleito “não vai pegar”. Segundo ele, o governador Aécio Neves (PSDB) vai fazer campanha para o colega de partido quando percorrer o Estado. “Acredito que o governador, como candidato a senador, vai construir em Minas a candidatura de José Serra casada com a candidatura do vice governador Antonio Anastasia ao governo de Minas”, completou José Milton.

Pelo lado petista, prefeitos garantem que não têm interesse no “Dilmasia”. Eles estão concentrados na defesa de uma candidatura própria e forte ao governo de Minas. “A tentativa (do voto casado) é equivocada e oportunista. Nós queremos ter candidatura própria no PT em Minas. Temos bons nomes”, disse o prefeito de Alfenas, no Sul de Minas, Pompílio Canavez (PT).

“A história do ‘Lulécio’ talvez tivesse razão de existir. Lula e Aécio eram bem avaliados, tinham componentes que justificaram. Agora, ‘Dilmasia’ é uma comédia”, completou. (AG)

O que é
Dilmasia: Seria o voto casado em Dilma Rousseff, para a Presidência, e em Antonio Anastasia, para o governo de Minas Gerais.
Lulécio: Voto casado em Lula, para presidente, e em Aécio Neves, para governador, em 2006.
Diferenças: O “Lulécio” ganhou corpo no interior de Minas. Dezenove prefeitos petistas assinaram, na época, um manifesto em favor desse movimento. Dezenas de outros prefeitos aderiram. O “Dilmasia” não conta com a mesma adesão.

Publicado em: 29/03/2010

sexta-feira, 26 de março de 2010

É a vez do PT governar Minas Gerais.

Companheiro (a)
A manifestação dos(as) prefeitos(as) e vice-prefeitos(as) neste momento é importante para contribuir com o debate sobre os rumos do nosso Partido em Minas.
Gostaria de compartilhar minhas considerações com você. Segue um Manifesto para análise, adendos, modificações, acréscimos ou simplesmente Adesão.
Caso queira fazer a sua Adesão, favor responder o e-mail.
MANIFESTO DOS PREFEITOS(AS) e VICE-PREFEITOS(AS)

UM NOME DO PT PARA GOVERNAR MINAS GERAIS

O Brasil mudou com o PT. E mudou para muito melhor. O Governo Lula apresenta avanços em todos os setores. O desemprego e a pobreza são reduzidos ano a ano, todos os indicadores sociais são positivos, o país cresce com igualdade social. O povo brasileiro ampliou seu acesso ao crédito, à universidade, à moradia e, consequentemente, a uma vida mais digna. Temos o respeito dos mais poderosos mandatários do mundo e somos chamados a mediar grandes conflitos com a nossa permanente vocação para a paz.

Nós, prefeitos(as) e vice-prefeitos(as) do PT de Minas, acreditamos que Minas também merece ter o PT administrando seu destino. Repetindo em nosso Estado a boa prática de priorizar as questões sociais, buscando o desenvolvimento a partir da evolução econômica dos setores mais pobres da população e sua consequente inclusão no mercado de consumo.

Em Minas Gerais, o PT tem candidatos, que podem fazer mais e melhor por nossa terra e nossa gente. Homens que, além da experiência política e administrativa, também detém o apreço e o respeito do povo mineiro e somam com isso todas as condições de vencer as próximas eleições.

E vencer, sem desvios, sem retroceder. Podemos seguir em frente, confiando que os nossos candidatos são a certeza para atender aos interesses do nosso Estado, com competência e compromisso.

O partido deixou para trás antigas diferenças e hoje está unido em torno de um forte ideal : oferecer o melhor para Minas Gerais. Seja o nosso candidato o ministro Patrus Ananias ou o ex-prefeito Fernando Pimentel, temos a garantia de estar propondo ao nosso povo homens corretos, com serviços prestados a Minas Gerais e ao Brasil. Homens estes que honram ao PT naquilo que nos é mais caro: um verdadeiro amor ao povo mineiro.


Saudações Petistas


Pompilio Canavez

Prefeito de Alfenas

sábado, 13 de março de 2010

sábado, 6 de março de 2010

Grande mídia contra Dilma.

/03/2010 | Copyleft
CARTA CAPITAL

Grande mídia organiza campanha contra candidatura de Dilma

Em seminário promovido pelo Instituto Millenium em SP, representantes dos principais veículos de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia. Eles acreditam que se Dilma for eleita o stalinismo será implantado no Brasil. “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, sentenciou Arnaldo Jabor.

Bia Barbosa

Se algum estudante ou profissional de comunicação desavisado pagou os R$ 500,00 que custavam a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada pelos representantes dos grandes veículos de comunicação nesta segunda-feira, em São Paulo.

Promovido por um instituto defensor de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade, e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). E dedicou boa parte das suas discussões ao que os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a eleição de Dilma Rousseff.

A explicação foi inicialmente dada pelo sociólogo Demétrio Magnoli, que passou os últimos anos combatendo, nos noticiários e páginas dos grandes veículos, políticas de ação afirmativa como as cotas para negros nas universidades. Segundo ele, no início de sua história, o PT abrangia em sua composição uma diversidade maior de correntes, incluindo a presença de lideranças social-democratas. Hoje, para Magnoli, o partido é um aparato controlado por sindicalistas e castristas, que têm respondido a suas bases pela retomada e restauração de um programa político reminiscente dos antigos partidos comunistas.

“Ao longo das quatro candidaturas de Lula, o PT realizou uma mudança muito importante em relação à economia. Mas ao mesmo tempo em que o governo adota um programa econômico ortodoxo e princípios da economia de mercado, o PT dá marcha ré em todos os assuntos que se referem à democracia. Como contraponto à adesão à economia de mercado, retoma as antigas idéias de partido dirigente e de democracia burguesa, cruciais num ideário anti-democrático, e consolida um aparato partidário muito forte que reduz brutalmente a diversidade política no PT. E este movimento é reforçado hoje pelo cenário de emergência do chavismo e pela aliança entre Venezuela e Cuba”, acredita. “O PT se tornou o maior partido do Brasil como fruto da democracia, mas é ambivalente em relação a esta democracia. Ele celebra a Venezuela de Chávez, aplaude o regime castrista em seus documentos oficiais e congressos, e solta uma nota oficial em apoio ao fechamento da RCTV”, diz.

A RCTV é a emissora de TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de 2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão – um direito a que, acreditam, o PT também é contra.

“O PT é um partido contra a liberdade de expressão. Não há dúvidas em relação a isso. Mas no Brasil vivemos um debate democrático e o PT, por intermédio do cerceamento da liberdade de imprensa, propõe subverter a democracia pelos processos democráticos”, declarou o filósofo Denis Rosenfield. “A idéia de controle social da mídia é oficial nos programas do PT. O partido poderia ter se tornado social-democrata, mas decidiu que seu caminho seria de restauração stalinista. E não por acaso o centro desta restauração stalinista é o ataque verbal à liberdade de imprensa e expressão”, completou Magnoli.

O tal ataque
Para os pensadores da mídia de direita, o cerco à liberdade de expressão não é novidade no Brasil. E tal cerceamento não nasce da brutal concentração da propriedade dos meios de comunicação característica do Brasil, mas vem se manifestando há anos em iniciativas do governo Lula, em projetos com o da Ancinav, que pretendia criar uma agência de regulação do setor audiovisual, considerado “autoritário, burocratizante, concentracionista e estatizante” pelos palestrantes do Fórum, e do Conselho Federal de Jornalistas, que tinha como prerrogativa fiscalizar o exercício da profissão no país.

“Se o CFJ tivesse vingado, o governo deteria o controle absoluto de uma atividade cuja liberdade está garantida na Constituição Federal. O veneno antidemocrático era forte demais. Mas o governo não desiste. Tanto que em novembro, o Diretório Nacional do PT aprovou propostas para a Conferência Nacional de Comunicação defendendo mecanismos de controle público e sanções à imprensa”, avalia o articulista do Estadão e conhecido membro da Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco.

“Tínhamos um partido que passou 20 anos fazendo guerra de valores, sabotando tentativas, atrapalhadas ou não, de estabilização, e que chegou em 2002 com chances de vencer as eleições. E todos os setores acreditaram que eles não queriam fazer o socialismo. Eles nos ofereceram estabilidade e por isso aceitamos tudo”, lamenta Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, que faz questão de assumir que Fernando Henrique Cardoso está à sua esquerda e para quem o DEM não defende os verdadeiros valores de direita. “A guerra da democracia do lado de cá esta sendo perdida”, disse, num momento de desespero.

O deputado petista Antonio Palocci, convidado do evento, até tentou tranqüilizar os participantes, dizendo que não vê no horizonte nenhum risco à liberdade de expressão no Brasil e que o Presidente Lula respeita e defende a liberdade de imprensa. O ministro Hélio Costa, velho amigo e conhecido dos donos da mídia, também. “Durante os procedimentos que levaram à Conferência de Comunicação, o governo foi unânime ao dizer que em hipótese alguma aceitaria uma discussão sobre o controle social da mídia. Isso não será permitido discutir, do ponto de vista governamental, porque consideramos absolutamente intocável”, garantiu.

Mas não adiantou. Nesta análise criteriosa sobre o Partido dos Trabalhadores, houve quem teorizasse até sobre os malefícios da militância partidária. Roberto Romano, convidado para falar em uma mesa sobre Estado Democrático de Direito, foi categórico ao atacar a prática política e apresentar elementos para a teoria da conspiração que ali se construía, defendendo a necessidade de surgimento de um partido de direita no país para quebrar o monopólio progressivo da esquerda.

“O partido de militantes é um partido de corrosão de caráter. Você não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante que responde ao seu dirigente partidário (...) Há uma cultura da militância por baixo, que faz com que essas pessoas militem nos órgãos públicos. E a escolha do militante vai até a morte. (...) Você tem grupos políticos nas redações que se dão ao direito de fazer censura. Não é por acaso que o PT tem uma massa de pessoas que considera toda a imprensa burguesa como criminosa e mentirosa”, explica.

O “risco Dilma”
Convictos da imposição pelo presente governo de uma visão de mundo hegemônica e de um único conjunto de valores, que estaria lentamente sedimentando-se no país pelas ações do Presidente Lula, os debatedores do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão apresentaram aos cerca de 180 presentes e aos internautas que acompanharam o evento pela rede mundial de computadores os riscos de uma eventual eleição de Dilma Rousseff. A análise é simples: ao contrário de Lula, que possui uma “autonomia bonapartista” em relação ao PT, a sustentação de Dilma depende fundamentalmente do Partido dos Trabalhadores. E isso, por si só, já representa um perigo para a democracia e a liberdade de expressão no Brasil.

“O que está na cabeça de quem pode assumir em definitivo o poder no país é um patrimonialismo de Estado. Lula, com seu temperamento conciliador, teve o mérito real de manter os bolcheviques e jacobinos fora do poder. Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós, donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade segundo seus direitos ideológicos”, afirma o cineasta e comentarista da Rede Globo, Arnaldo Jabor. “Minha preocupação é que se o próximo governo for da Dilma, será uma infiltração infinitas de formigas neste país. Quem vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza. A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”, alerta Jabor.

Para Denis Rosenfield, ao contrário de Lula, que ganhou as eleições fazendo um movimento para o centro do espectro político, Dilma e o PT radicalizaram o discurso por intermédio do debate de idéias em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, lançado pelo governo no final do ano passado. “Observamos no Brasil tendências cada vez maiores de cerceamento da liberdade de expressão. Além do CFJ e da Ancinav, tem a Conferência Nacional de Comunicação, o PNDH-3 e a Conferência de Cultura. Então o projeto é claro. Só não vê coerência quem não quer”, afirma. “Se muitas das intenções do PT não foram realizadas não foi por ausência de vontades, mas por ausência de condições, sobretudo porque a mídia é atuante”, admite.

Hora de reagir
E foi essa atuação consistente que o Instituto Millenium cobrou da imprensa brasileira. Sair da abstração literária e partir para o ataque.
“Se o Serra ganhasse, faríamos uma festa em termos das liberdades. Seria ruim para os fumantes, mas mudaria muito em relação à liberdade de expressão. Mas a perspectiva é que a Dilma vença”, alertou Demétrio Magnoli.

“Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.

“Na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”, prevê Reinaldo Azevedo.

Um último conselho foi dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação seja seguida, para que a posição da grande mídia não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500,00 pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira.